A pergunta que me fazem: porque caboclinhos? Porque criar caboclinhos? Poderia começar respondendo: e porque não?
Dentre os Sporophilas, da família Emberizidae, sub-família Emberizinae da ordem dos Passeriformes, doze são chamados popularmente de caboclinhos, os outros são: Pichochó, Cigarra, Cigarrinha, Patativa, Papa Capim, Gola, Coleiro do Brejo, Bigodinho, Coleirinho, Brejal, Chorão.
Os caboclinhos(*) são: Nigrorufa (Caboclinho do Sertão), Bouvreuil Bouvreuil (Fradinho), Bouvreuil Pileata (Paulista), Bouvreuil Crypta (Ferrinho), Minuta (Caboclinho Lindo), Hipoxantha (Caboclinho de Barriga Vermelha), Ruficollis (Caboclinho do Paraguai), Palustris (Caboclinho de Papo Branco), Castaneiventris (Caboclinho de Faixa), Hypochroma (Caboclinho de Sobre-Ferrugem), Cinnamomea (Caboclinho de Chapéu Cinzento), Melanogaster (Caboclinho de Barriga Preta) e o Bouvreuil Saturata (Caboclinho de São Paulo)**
(*) Conforme Helmut Sick, Ornitologia Brasileira, Edição revista e ampliada por José Fernando Pacheco, Editora Nova Fronteira, 2001. (**) Citado por E.Machado Costa Lima em sua dissertação de Mestrado.
Todos em extinção. Não porque os homens os tenham caçado e prendido em gaiolas como os eco-chatos gostam de generalizar. Mas, por que desapareceu o habitat, os eco-sistemas em que viviam, ou pior, na procura por locais para adaptação nem isso encontraram como aconteceu com o sabiá que convive hoje com a cidade de São Paulo. Bem, muitos irão dizer: são eles ou nós. Ou seja, neste planeta ou nós homens sobrevivemos ou os animais, as aves e até as plantas. Quem sabe deveríamos encontrar uma maneira inteligente de todos permanecermos na crosta terrestre, embora, com algum sacrifício para todos os lados.
Alguns devem empreender a tarefa de criá-los, como um dia fizemos com curiós, canário da terra e mais recentemente com pixarro. No nosso meio de criadores, independentemente da motivação que nos leva a ser, os caboclinhos não são muito valorizados. Eu falo em valor monetário, porque não são nem muito bonitos, nem muito canoros e até outro dia existiam aos bandos em todos nossos Estados.
Só que não são fáceis de criar, pelo tempo que demora a fêmea para começar a reprodução, a fragilidade dos filhotes e a falta de retorno monetário. Até recentemente não existiam pesquisas científicas e banco genético para se conhecer e manter as diferenças entre eles. Mesmo na natureza em decorrência das condições de sobrevivência acasalam entre si formando híbridos.
Interessante notar que muitos querem um exemplar, mas não se dispõem a pagar o que valem. Nós criadores amadores não podemos vendê-los por lei, mas nas permutas e grolosh que fazemos, eles entram depreciados. Ora, para quem cria é mais fácil obter uma fêmea de curió ou bicudo, os pássaros mais valorizados, do que um pileata ou um palustris. Eu não as troco pelas melhores fêmeas de outros pássaros, que me ofereçam, porque são raras as registradas no SISPASS e portanto, com possibilidade de obtenção de anilhas para procriação. Entrem nos gsitesh dos criadores comerciais, ou os procurem em seus estabelecimentos, e vejam quanto irão pagar.
Claro, não estou falando dos supervalorizados cantadores, por que também os tenho, curiós e bicudo, nesse caso apenas um, e sei o valor monetário que têm. Mas, porque nas discussões que se faz em nossas rodas, colocam os pobrezinhos caboclinhos como a ralé, os que nada valem. gPuxa, queria um caboclinho, você me passa um?h Claro, em troca de seu azulão, ou do seu coleira premiado.
Somos poucos os criadores e espalhados pelo Brasil. A Internet tem sido um excelente veículo de informações e troca de conhecimentos sem ela estaríamos todos em pior situação. Até acesso a trabalhos científicos tem sido possível. E, pasmem, com criadores do exterior, como em Portugal onde os sporophilas têm encontrado dedicados apreciadores.
De qualquer forma nossa obrigação é manter essa chama acessa e nos unimos para conseguirmos apoio do IBAMA e dos demais órgãos protetores do meio ambiente. Criamos para preservar, esse é o lema.